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domingo, 19 de maio de 2013

A legislação brasileira e a logística reversa de resíduos eletrônicos

A redução do ciclo de vida dos aparelhos eletrônicos gerou, na última década, um crescimento exponencial de resíduos eletrônicos. Mas o que fazer com o seu computador velho, walk-man, e outras quinquilharias? Quando não descartado adequadamente, o lixo eletrônico pode causar sérios danos à saúde e ao meio ambiente. Para se ter uma ideia desse volume de lixo, estima-se que no período entre 1997 e 2008, cerca de 500 milhões de computares (equivalente à 2.800 mil toneladas de plástico, 718 mil toneladas de chumbo, 1363 toneladas de cádmio e 287 toneladas de chumbo !) (Puckett e Smith, 2002).

O chamado e-lixo tem características bastante especiais, que o torna bastante nocivo (devido à presença, mesmo em pequena quantidade, de metais pesados), e vem recebendo atenção especial da sociedade.
Entretanto, o Brasil ainda encontra-se muito atrás do resto do mundo na questão da manipulação do e-lixo. Desde a década de 80 a Europa e já incentiva a incorporação dessa questão no plano de negócios de fabricantes eletrônicos, com normas ambientais não obrigatórias de âmbito internacional. Todo o conceito implica na transferência da responsabilidade dos resíduos, normalmente atribuída às autoridades e ao consumidor, para os fabricantes dos produtos. Esse conceito é conhecido com EPR (Extended Producer Principle)
Atualmente, na Europa a política de gerenciamento de resíduos eletrônicos é baseada em diretrizes da União Europeia para manipulação adequada dos resíduos (para saber mais procure as diretrizes WEEE – Directive on Waste from Electronics and Electronic Equipment). No Japão, adotou-se desde a década de 90, leis de utilização eficiente de recursos e leis de reciclagem de aparelhos domésticos, baseadas no conceito EPR. Já nos EUA, já leis que focam a reciclagem de aparelhos de televisão e computadores pessoais, além de leis que obrigam a redução da utilização de substâncias tóxicas (procurar pela lei NEPSO – National Eletronics Product Stewardship Initiative). Até a China conta com legislação especifica adequada para produção mais limpa e controle dos resíduos eletrônicos.
Enquanto isso no Brasil, o Projeto de Lei n. 203 de 1991 (pasmem!), finalmente vai sair do papel em 2015. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O ponto principal da política é o estabelecimento das responsabilidades de destinação, recuperação e conscientização dos resíduos sólidos. Todos, sem exceção são citados como responsáveis – do consumidor ao produtor, passando pelas autoridades de pelos comerciantes.
Trata-se de mais do que uma mudança de legislação, mas uma mudança cultural, da qual nós temos o dever de participar ativamente!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sustentabilidade aplicada na Logística

Neste mundo globalizado, as organizações buscam freqüentemente serem competitivas e também sustentáveis.

Nosso planeta sofre com muitas conseqüências devido à exploração dos recursos naturais. Por isso, é importante além do presente, pensar principalmente no futuro para não agravar ainda mais a situação.

A sustentabilidade visa melhorar a vida das sociedades urbanas e não urbanas, está relacionada aos cuidados com o meio ambiente. Mas, quais são as relações entre logística e sustentabilidade?

A Logística sustentável busca trabalhar com tecnologia e materiais de forma mais racional, aproveitando os recursos naturais de forma consciente e se preocupando sempre em preservar o meio ambiente.

A sustentabilidade na logística envolve decisões de responsabilidades, baseia-se em critérios como: produção mais limpa, evita excessos de produtos, faz o possível para disponibilizar aos clientes os produtos certos, nas quantidades adequadas, no tempo correto, com o menor custo possível e faz uma cuidadosa análise da logística reversa, ou seja, faz a coleta de lixo gerado e matérias que precisam ser mandado de volta à sua origem.

Sustentabilidade = você ganha, a natureza ganha!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A nova onda: Logística Reversa


Com o crescente volume de negócios em escala mundial e a imensa quantidade de produtos transportados diariamente, aumenta também a quantidade de lixo gerado e de materiais que precisam ser mandados de volta à sua origem. Esse tráfego de produtos no sentido contrário da cadeia de produção normal (dos clientes em direção às indústrias) precisa ser tratado adequadamente, para evitar trabalho e custos extras.

logística reversa é a área responsável por este fluxo reverso de produtos, seja qual for o motivo: reciclagem, reuso, recall, devoluções, etc. A importância deste processo reside em dois extremos: em um, as regulamentações, que exigem o tratamento de alguns produtos após seu uso (como as embalagens de agrotóxicos ou baterias de celulares); na outra ponta, a possibilidade de agregar valor ao que seria lixo. Veremos mais detalhes ao longo deste artigo.
Com o aumento das pressões da sociedade para produtos e processos ecologicamente corretos, a reciclagem ganha força e a logística reversa é um dos principais motores deste movimento. Além de contribuir legitimamente para a redução dos impactos ao meio ambiente há um ganho de imagem para a empresa que o faz. Há exemplos de reciclagem que já são práticas comuns: latas de alumínio, garrafas pet, papel, dentre outros itens de pós-consumo.
Há também a reutilização, notadamente com as sobras industriais, partes de equipamentos e sucatas em geral. No entanto, existe também o fluxo de produtos do consumidor de volta ao vendedor por iniciativa do usuário: quando ele não está satisfeito com uma compra, ele devolve o produto (bastante comum no comércio eletrônico ou erro de escolha do produto em lojas físicas).
De maneira geral, três fatores estimulam o retorno de produtos: (1) consciência cada vez maior da população para a necessidade de reciclar e de se preocupar com o meio ambiente; (2) melhores tecnologias capazes de reaproveitar componentes e aumentar a reciclagem; (3) questões legais, quando a legislação obriga que as empresas recolham e dêem destino apropriado aos produtos após o uso.

Do ponto de vista das empresas, alguns cuidados precisam ser tomados. Nos locais de armazenagem, faz-se necessário estruturar sistemas capazes de lidar com estes volumes crescentes (e dificilmente previsíveis). Além disso, assim como a logística tradicional, a logística reversa tem como um dos principais componentes os sistemas de transporte. É necessário que os sistemas de roteamento sejam capazes de solucionar os complexos problemas de entregas e coletas simultaneamente, levando em conta, dentre outras restrições, as capacidades dos caminhões e os intervalos de tempo (este problema é chamado tecnicamente de pickup and delivery routing problem).
Identificar as melhores estruturas de transporte capazes de recolher estes produtos, normalmente muito dispersos nos centros de consumo, e levá-los de volta às fábricas ou centros de tratamento é um grande desafio que precisa ser corretamente modelado. As práticas neste recente segmento ainda não estão consolidadas, e há espaço para diversas inovações.
Portanto, faz-se necessário planejar estrategicamente os sistemas internos (gerenciamento de estoques, sistemas de informação, espaço físico) e externos (transporte e relacionamento com clientes), a fim de aproveitar este novo mercado, atraindo e fidelizando clientes com mais uma opção de serviço pós-venda.

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